quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

(Pedro) Iniciando na língua francesa

Iniciamos no último sábado 15/02 as aulas de francês na escola de línguas Babel. Fiquei com uma boa impressão, ainda que, tendo feito antes aulas na Aliança Francesa, eu ache esta melhor no método e exigência. Mas tudo bem, como sei que esse tipo de coisa depende mais do aluno que do professor, isso não deve alterar muito nossos planos. Além disso, os benefícios de adiantamento do processo de emigração, encaminhamento de documentos e orientações se pagam nesta instituição.

Outra coisa importante é que quase todo mundo que está na turma (sendo ela de iniciantes) está ali com a intenção de emigrar e não voltar mais. Meu grupo conta com 8 alunos, se lembro bem, e apenas um está fazendo francês ali sem ter exatamente um plano de saída do Brasil. Mesmo assim, a intenção dele é se tornar adido do país em algum lugar francófono.

Estudar francês é muito bom. A língua se presta muito para os prazeres da vida - cozinhar, apreciar bons livros, música, cinema... A informação fica muito agradável de ler. Por fim, boa parte do mundo fala francês, e é como se se abrissem muitas, mas muitas novas portas para pontos de vista diferentes.

Nós, brasileiros, culturalmente somos tão rasteiros que ensinamos (mal) os nossos filhos mais o inglês do que o espanhol, falado por todo o resto da América Latina. Isso, por si só, já nos priva de muitas coisas diferentes e as opiniões ficam em uma bipolaridade Pró-EUA X Anti-EUA, muito pobre para quem quer ser um poder regional respeitável. O francês, imagine então, sempre foi visto com desconfiança pelos pampas (quando não associado francamente com "bixisse"), e só recentemente é considerado como uma boa opção de estudo (noto bem menos preconceito, ao menos).

Futuramente pretendo colocar aqui uns links interessantes para quem queira estudar mais este fabuloso idioma.

Alors, en avant!

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

(Pedro) Inícios

Muitas pessoas têm dificuldades em escrever sobre qualquer coisa, em especial ao iniciar o texto. Considerando o fato de ser um co-autor deste blog, achei prudente dar o primeiro passo. Já escrevi outros blogs antes (e tenho um que está meio morto, sobrevivendo de culpa), e penso que ser o primeiro é uma gentileza para dar um bom ponta-pé inicial e deixar a Mich mais à vontade. Além do que, ela observa melhor as regras do português culto do que eu, então vai ter um destaque plus (haha).

Há muitos anos eu penso em sair do país. De pequeno já fazia fantasias sobre servir na Legião Estrangeira, e algumas vezes até fui estimulado para estudar fora. Nunca o fiz pela mais sincera covardia e rigidez em me adaptar a situações novas. Ainda no fim da adolescência me tornei um velho.

Encontrar a Mich foi encarar de frente aquela parte que queria muito dar grandes vôos, sem o medo que me ancorava. Com a experiência de ter morado em vários lugares diferentes do Brasil (depois de formada em enfermagem), minha esposa é o tipo de pessoa que sente medo de pular de pára-quedas, mas pula mesmo assim (literalmente).

Como médicos, nossa situação no Brasil mudou muito nos últimos 30 anos. Embora seja uma profissão que tem muito retorno em vários aspectos (financeiros, facilidade de achar trabalho, carinho dos pacientes, etc etc etc), os últimos anos têm apontado uma direção sombria. Não digo apenas pelo programa Mais Médicos, mas outras medidas, menos espalhafatosas mas tão danosas quanto, foram tomadas nos últimos meses - tais como liberação de procedimentos em planos de saúde, a exigência de marcação de consultas sem discutir o que há por trás das agendas médicas, fechamento de leitos do SUS...

Com essa sensação ruim sobre a saúde no Brasil, a percepção crescente de insegurança pública e as distorções econômicas que são muito próprias desta terrinha, só faltava um último pontapé, algo que desse aquela energia para realmente levar a ideia a sério.

Apresento-lhes, então, Guilherme, talvez o nosso maior motivo para pensar em sair do país:

Um grande motivo para sair do país
Queremos um lugar que possamos confiar em pessoas profissionais para cuidar dele na creche e na escola; queremos que ele possa sair na rua sem nos preocuparmos com assaltos, tiroteios ou sequestros; queremos que ele tenha uma boa educação, que forme bem um ser humano e um cidadão, e não meramente um "fazedor de questões do vestibular"; queremos poder dar à ele boas memórias de uma vida livre, e não presa em pátios com grades, cercas elétricas e com arame farpado, com medo de tudo e todos.

Pensamos em vários lugares - consideramos a Austrália, França, Itália... Um dia um amigo manda um link via Facebook de uma escola de idiomas que faria uma palestra sobre imigração ao Canadá, a Babel Group. Participamos da palestra e, como já havíamos feito alguma pesquisa antes, confirmamos que a saída para o Canada seria mais fácil por Quebec, o que para nós não representa nenhum tipo de problema, já que a Mich já havia feito um treinamento prévio em francês e eu, embora tenha feito um estudo muito básico, estou feliz em "ter de recomeçar" e aprender a língua de fato.

Dois dias depois (20/Jan) fizemos uma entrevista para análises de currículo com o sr. Pierre, que muito atenciosamente nos falou de ótimas chances que temos conseguir o visto de permanência e - tão importante quanto - inserção no mercado de trabalho local. Evidentemente, considerando profissões da área da saúde, existem uma série de provas e comprovações de títulos e, em especial para médicos, a ida é complicada - mas nada que possa nos desanimar, bastando olhar para aquele rosto feliz e pensar "eu quero algo melhor para ele".

Talvez uma das imagens mais cândidas desse show, se aplica perfeitamente em nosso caso